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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
E o ano começa a mil
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Por que as mulheres não gostam de ouvir a palavra GORDA ?
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Um feliz natal e um grande 2011
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Cognição Social na esquizofrenia : uma revisão de conceitos
Autores : Juana Teresa RODRÍGUEZ SOSA; Rafael TOURIÑO GONZÁLEZ
Archivos de Psiquiatría. 2010; 73:9 (12-noviembre-2010)
A cognição social se refere a como as pessoas pensam sobre elas mesmas e os outros. É um fato conhecido que a cognição social está deteriorada nos indivíduos com esquizofrenia. Recentes investigações sobre cognição social na esquizofenia têm mostrado uma relação entre a cognição social, a neurocognição e o funcionamento psicossocial. A cognição social poderia ser um importante objetivo no tratamento farmacológico e psicossocial. O propósito deste estudo é oferecer uma revisão da cognição social na esquizofrenia, apresentar alguns dos instrumentos válidos para avaliar a cognição social e revisar e melhorar os principais programas de intervenção.
Palavras Chave: Cognição social, Esquizofrenia, Teoria da Mente.
INTRODUÇÃO
Na década de 50 com o começo da psicofarmacologia a atenção da comunidade científica se focalizou inicialmente no controle da sintomatologia positiva da esquizofrenia. Posteriormente na ultimas décadas os estudos se detiveram nos sintomas negativos e na deterioração cognitiva atendendo ao funcionamento executivo, atenção e memória. O estudo da cognição social se inicia na década dos anos 90 quando de forma empírica se demonstrou que esta possui uma relevância funcional como variável mediadora entre a neurocognição e o nível de funcionamento social. Assim se desenvolveram novas intervenções centradas nos diferentes componentes que formam a cognição social (processamento emocional, percepção social, teoria da mente, esquemas sociais, conhecimento social e estilo atribucional). O critério kraepeliano que considerava a deterioração cognitiva como sintoma nuclear da esquizofrenia assim como a importância assinalada por Bleuler acerca dos sintomas deficitários na afetiviidade se renova nos últimos anos e levantam uma nova perspectiva dessa enfermidade.
O presente artigo tem como objetivo fazer uma revisão do conceito de cognição social e de seus componentes tentando estabelecer um enfoque integrador que explique a etiologia, evolução e aponte novas linhas de atuação em seu tratamento. Para isso realizou suas buscas nas principais bases de dados, Psycinfo, Medline, Pubmed.
O link para o texto completo se encontra em http://www.archivosdepsiquiatria.es/index.php?journal=adp&page=article&op=view&path%5B%5D=48&path%5B%5D=49
Vale muito a pena o artigo.
Creditos da tradução do resumo e introdução para Prof. Dra. Maria Christina Stroka ( christroka@terra.com.br )
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Sindrome de Otelo - O ciume patológico
A síndrome de Otelo – Ciúme patológico
Otelo, o mouro de Veneza é personagem principal do romance do famoso britânico Willian Shakespeare, que conta a história de um homem que ama demais a esposa e que convencido de sua infidelidade, acaba a matando para logo após descobrir a inocência dela.
O conto de Shakespeare traça muitos paralelos com a nossa vida cotidiana. Nenhum relacionamento esta livre das desconfianças e das tentações que o mundo oferece, ainda mais nos dias de hoje que o apelo sexual esta em cada esquina. Porem existem pessoas que passam dos limites nas desconfianças e qualquer indicio, por mais absurdo que seja, é uma prova cabal da traição do parceiro. De fato, não são todos os relacionamentos que terminam em morte como o caso de Otelo, mas o crime passional, tem aumentado, vemos na TV vários casos de assassinatos ligados a términos de relacionamentos e traições.
Vamos falar um pouco do ciúme patológico, algo que movimenta grande parte dos casos de procura por terapia.
O ciúme patológico é definido como a persistente idéia de que o parceiro (a) possui outros relacionamentos, não importando qual seja a realidade da relação amorosa, pois a sensação é que a relação afetiva esta em constante ataque por parte de outras pessoas. Nesse sentido, a pessoa com ciúme patológico interpreta tudo no ambiente como uma prova da infidelidade do parceiro, já que a todo momento o sentimento é de que o relacionamento corre perigo.
Dizem que o ciúme é algo natural e esperado de qualquer relacionamento, afinal, quem gosta cuida e quer proteger o relacionamento e a pessoa amada. Não existe uma escala que nos diz quando o ciúme passa de “normal” para patológico, mas podemos perceber que o ciúme patológico causa intenso sofrimento para o casal, para o ciumento por que tudo vira uma prova clara da traição e para o parceiro que precisa se submeter a questionários, brigas, controles de todas as formas e todos os passos que dá e em alguns casos pode ter sua integridade física ameaçada.
A Síndrome de Otelo é diagnosticada quando existem sintomas e sinais específicos e em conjunto. Podemos dizer que as principais características dessa síndrome inclui: ter o controle do pessoa amada, checar contas de telefone, ler e-mails particulares, vasculhar bolsos, agendas, contas de cartão de crédito, contratar detetives, seguir a pessoa, telefonemas constantes, implicar com roupas que o outro use, implicar com amigos (as) e até mesmo parentes, não permitir que o parceiro saia desacompanhado, enfim… os exemplos são muitos.
É importante ressaltar que a pessoa que sofre do ciúme patológico fundamenta suas ações em distorções e falsas interpretações da realidade. Quando o ciúme ameaça a integridade do relacionamento e qualquer estimulo é interpretado como uma prova de traição, por mais irracional e absurdo que sejam os argumentos usados pelo ciumento, então é preciso ficar atento.
Quando existe agressão física e ameaças de diversas ordens, o relacionamento não tem mais chances de se tornar saudável sem a ajuda profissional de um terapeuta treinado para tal.
Quem se envolve com um ciumento patológico vive em constante ameaça, cobranças, brigas e precisa se justificar de tudo que faz a todo o momento. É um tipo de relacionamento penoso e desgastante, transtornos de ansiedade e depressão costumam se instalar na vitima do ciumento.
A vitima perde a identidade e a paz ( isso quando não perde a vida ), podemos citar o caso de Eloá Pimentel que foi mantida refém por 68 horas e morta por Lindenberg Alves em 2008, enfim, existem muitos exemplos do ciúme patológico que terminaram com a morte do ciumento ou da vitima do ciumento.
As terapias de abordagem comportamental ( Analise do Comportamento ) e Cognitivo Comportamental ( TCC ) são as mais indicadas possuindo estudos e pesquisas de alto grau de evidencia cientifica, atestando que de fato funcionam.
O ciúme patológico ou Síndrome de Otelo é um problema que existe há séculos e que afeta milhões de pessoas no mundo todo. É um problema tratável e com grandes possibilidades de melhora quando realizado por um profissional qualificado e devidamente treinado no manejo de situações de conflito causadas pelo ciúme patológico.
Aguardem os proximos textos sobre o tema.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A abordagem teórica nos escolhe ou nós a escolhemos???
Essa é uma pergunta muito comum dentro da Psicologia, principalmente em recém formados que bombardeados por tantas abordagens e informações contraditórias e desencontradas, acabam ficando frente a frente com um grande dilema: Que orientação teórica eu vou seguir??
É muito complicado se decidir por uma abordagem teórica que não se conhece. Muitos psicólogos defendem que a abordagem teórica é que escolhe o psicólogo e não o contrario. Eu particularmente acho isso absurdo, tendo em vista que a escolha da abordagem teórica deve se basear em dados racionais e reais e não em emoção. O próprio código de defesa do consumidor diz claramente que todos os serviços oferecidos ao consumidor deve se basear em qualidade e evidencias concretas de eficiência.
Muitas abordagens teóricas não possuem um corpo epistemológico coerente ( pra não dizer outra coisa ) e dizem abertamente que não se preocupam com a ciência, e o pior, dizem fazer seu próprio modo de ciência, onde podem “provar” que suas praticas se sustentam. O grande problema é que suas praticas possuem baixíssimo grau de evidencia e quando colocadas em prova pelo método cientifico falham. Isso se aplica perfeitamente as terapias holísticas e outros métodos esotéricos. Na verdade a medicina alternativa é um conjunto de praticas que nunca foram testadas cientificamente ou que quando colocados em testes falharam completamente.
Dentro da psicologia também temos muitas abordagens que não podem ser medidas e validadas através do método cientifico tradicional. Pra ser sincero existem pouquíssimas abordagens teóricas que se preocupam em validar suas praticas em exaustivos testes em laboratório ou em estudos clínicos. Dentre as abordagens que escolheram a ciência como base, estão a TCC ( Terapia Cognitivo Comportamental ) e a AC ( Analise do Comportamento ).
Eu escolhi a Analise do Comportamento como abordagem teórica por possuir um corpo epistemológico coerente e possuir uma base que valida suas praticas com rigor cientifico. A incansável busca por métodos mais eficientes de tratamento, a busca incessantes em desenvolver melhores formas de intervenção e a constante reciclagem e validação dos seus métodos me encantaram.
Acredito que a escolha da abordagem deve ser feita por métodos racionais, o profissional deve se perguntar que tipo de trabalho ele quer fazer com seu cliente, e com isso podemos formular a pergunta: “Quero dar o melhor para o meu cliente com técnicas e procedimentos validados por inúmeros trabalhos científicos dentro de um rigor grande ou devo dar um tratamento de qualquer coisa, apenas por que eu achei interessante o modo de pensar de um teórico X ou Y ?”
A resposta pode parecer obvia, mas de fato muitos recém formados e até profissionais não conseguem responder a essa pergunta.
A verdade é que a psicologia precisa mudar urgentemente a mentalidade dos seus profissionais, escolher uma abordagem apenas por se identificar com o pensamento do teórico ou dizer que a abordagem foi escolhida por simples ponto de vista convergente, é muito grave e quem vai sofrer com isso é o futuro cliente.
Para terminar esse breve texto, gostaria de citar uma frase de um colega de profissão que sempre se faz presente nesse tipo de debate no mundo da Psicologia, ele diz :
" A escolha da teoria deveria se dar por critérios racionais. O contrário, muito louvado em alguns nichos da Psicologia, é uma falha da formação, uma herança romântica nem um pouco bem-vinda a não ser que a estética lhe interesse mais que a ética..." ( R, Junio. 2010 )
quarta-feira, 2 de junho de 2010
6 perguntas sobre Bullying
Existem diversos tipos de Bullying. Os mais comuns se referem a humilhação da vítima por apelidos que exaltam alguma característica física aparente ou até mesmo não tão aparente assim. As agressões físicas também são muito comuns.
Com a evolução da informática e mesmo da internet, outros tipos de Bullying tem sido registrados. O mais comum é o Cyber Bullying onde se faz montagens de fotos da vítima, geralmente de cunho pornográfico e homossexual ou se cria um perfil falso em redes de relacionamentos com dados reais e esse mesmo perfil fica relacionado em comunidades de pedofilia, prostituição ou homossexualidade
Segundo a delegacia de crimes virtuais de São Paulo, essa é a modalidade mais comum de Bullying pela internet. O Cyber Bullying é uma forma mais agressiva de Bullying, pois o alcance da internet é muito maior que no Bullying tradicional, e tem o agravante do autor ter o anonimato preservado. Se juntarmos a certeza do anonimato com a falta de legislação específica sobre crimes contra a honra praticados pela internet, teremos um terreno fértil para ataques caluniosos e em alguns casos criminosos com referências a ameaças de morte e espancamentos.
Existe ainda um outro tipo que é relativamente novo. É o sexling, onde existe a distribuição de fotos ou vídeos da vítima praticando sexo ou em poses sensuais. Namorados que perdem relacionamentos e são vingativos são especialistas nesse tipo de Bullying, que pode chegar a atos criminosos como chantagens financeiras ou favores sexuais para a não divulgação do material.
2) Quais podem ser as conseqüências pra uma vítima?
As marcas que ficam nas vítimas de bullying são muito fortes e infelizmente, na maioria das vezes mudam permanentemente a vida das vítimas. As marcas mais comuns são: Depressão, baixa auto-estima, muita dificuldade em relacionamentos sociais e muitas vezes transtornos de ansiedade como a Síndrome do Pânico ou o transtorno de Stress pós traumático se instalam.
O importante é ressaltar que o atendimento psicológico oferece resultados promissores em relação a todas essas marcas, principalmente as terapias de abordagem comportamental.
Com os anos de atendimento clinico, percebo que as vítimas de Bullying paralisam e não conseguem ver que precisam de ajuda. Tenho percebido que o discurso é sempre depressivo e muitos acham que não tem possibilidade de mudar. Julgam que não tem nada a fazer além de se acostumar e esperar o tempo passar para ver se melhora. Muitas vezes se sentem até responsáveis por serem vítimas. Infelizmente as coisas não funcionam assim e o tempo não ajuda a melhorar.
3) Em que situações/contextos esta prática é mais comum?
O Bullying acontece em diferentes ambientes e contextos. Geralmente esta dentro das escolas, academias, faculdades e empresas.
Um erro que se comete, é acreditar que o Bullying só é realizado por crianças e adolescentes.
Os adultos também praticam, as vezes de forma mais intensa e cruel. Um colega de trabalho popular que destrói a auto-estima do colega "nerd", é muito comum ou então um atleta mais forte que humilha e faz brincadeiras destrutivas com um atleta mais fraco. Enfim, o Bullying está em praticamente todos os contextos onde existe interação social.
4) Como os pais devem agir ao saberem que seus filhos são vítimas de Bullying?
É um ponto difícil, pois geralmente os adolescentes preferem se calar e aguentar as humilhações e agressões físicas, já que temem que se expuserem os Bullys ( nome dado ao agressor ), a situação ficaria muito pior do que já é.
O que sempre recomendo aos pais é que tenham um diálogo aberto e honesto com os filhos. Tendo essa relação de confiança estabelecida entre pais e filhos, é muito mais fácil um diálogo sobre o Bullying.
Ao perceber algo estranho, é dever dos pais prestar atenção e conversarem com o filho. Marcas roxas que aparecem sem explicação, notas que começam a cair, retraimento social, comportamento mais introvertido, dificuldades de aprendizagem e recusa em ir a escola são sinais indicativos de que algo esta errado e portanto merece uma atenção maior dos pais.
Ao se constatar o problema, os pais devem ir a escola e falar diretamente com o diretor ou supervisor educacional da instituição que o filho esta matriculado e expor o problema e exigir uma solução rápida Algumas escolas no Brasil já estão implantando programas anti Bullying com bons resultados.
Caso exista agressão física, ataques com dados reais pela internet (inclusive com o uso de documentos e fotos), é importante que a vítima e seus pais façam um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima Existe também a possibilidade de entrar com um pedido de investigação pelo site Safernet ( http://www.safernet.org.br/site/ ).
O site é formado por juristas, advogados, juízes e delegados e atua em parceiria com o ministério público, justamente nos crimes pela internet, o Cyber Bullying também é considerado um crime pela internet e portanto é passível de denúncia, investigação e punição civil ou penal de seus autores.
O atendimento psicológico é fundamental para a vítima de Bullying. Pois sabemos que ser alvo de humilhações frequentes, as vezes durante anos e anos, provocam problemas sérios e sem tratamento devido, podem ser permanentes e altamente incapacitantes.
5) Na sua opinião, por que o tema ganhou mais repercussão recentemente no Brasil? (É mais comum atualmente, ou a mídia que passou a dar mais destaque?)
O Bullying sempre existiu. A grande diferença é que a mídia está dando maior destaque ao problema. Alem disso, houve uma mudança de entendimento muito importante. O Bullying antigamente era considerado brincadeira e bobagem de criança e não como um problema sério. A mídia, sociólogos, Psicólogos e educadores começaram a perceber que em grandes tragédias com ataques homicidas, muitas vezes o histórico do assassino é de um adolescente tímido, calado e vítima de humilhações frequentes.
Se tem como exemplo os atentados nos EUA onde vítimas de bullying invadem escolas com armas de alto calibre e cometem verdadeiras atrocidades, matando colegas que outrora eram Bullys e logo após cometem suicídio ou então são mortos pela polícia. Podemos citar o massacre de Columbine em abril de 1999, que terminou com 15 mortos e 21 feridos graves. Os assassinos eram vitimas de Bullying e chegaram a fúria homicida em resposta por anos e anos de humilhações que sofriam.
6) Quais são as características que compõem o perfil psicológico do Bully?
O Bully geralmente é um indivíduo com baixa auto estima e pouca empatia. Quase sempre é uma pessoa que possui um atributo que o coloca como líder ou mesmo uma pessoa admirada. Pode ser um atleta, um aluno popular ou alguém fisicamente avantajado.
Como característica principal, podemos dizer que o Bully sente uma necessidade de dominar e subjugar os outros, gosta de impor suas vontades, gostos, preferências, custa a adaptar-se às regras, não aceita ser contrariado, é considerado pela turma como um ditador daquilo que é legal e do que não é.
Podemos até dizer que o Bully é aquele que forma um pequeno exército de aliados contra a vítima. Pois se não está com ele, então está contra ele.
