terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Psicologia e Qualidade de Vida - Porquê as pessoas fazem psicoterapia ??

Por que fazer psicoterapia ???

Atualmente o mundo desafia nosso equilíbrio. Precisamos ter saúde física e psicológica para lidar com uma grande variedade de problemas que a modernidade nos traz: Stress no trabalho, problemas na escola, problemas afetivos e sociais.
Nem sempre é possível lidar com tudo isso sozinho. Perdemos nosso bem-estar quando o peso dos problemas é maior do que podemos suportar.
Por isso a ajuda de um profissional é tão importante.

A Psicoterapia Analítico Comportamental

É uma modalidade de Psicoterapia baseada na Ciência Comportamental, que tem como pressuposto o fato de que o comportamento é produto da relação entre o indivíduo e o ambiente. O trabalho do terapeuta, Analista do Comportamento, é descobrir com seu cliente os eventos do ambiente que determinam e mantém um comportamento problema.
O Terapeuta entende que o cliente é único, e seus problemas ou dificuldades são produtos de uma história particular. Isso humaniza o processo de terapia, pois se compreende cada cliente dentro de sua história de vida.

Pesquisa científica e rigor na coleta de informações, aliadas às técnicas específicas e comprovadas, fazem da Terapia Analítico Comportamental uma das mais eficientes e com os benefícios mais duradouros.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Problemas de Aprendizagem


É muito comum encontrar escolas e pais que não sabem o quê fazer com aquele aluno ou filho que tem uma certa dificuldade para aprender os conceitos das aulas. Grande parte das instituições de ensino, sobretudo as escolas da rede publica ,não contam com serviços de psicologos ou psicopedagogos para auxiliar esses individuos

Em um primeiro momento, podemos analisar superficialmente o problema de aprendizagem como uma dificuldade em absorver informação. Os motivos são multifatoriais. Pode ser desde um problema de visão simples de se corrigir com o uso de óculos ,como pode ser mais complicado como a Dislexia necessitando tratamento psicologico, psicopedagógico e dependendo do caso medicamentoso.

Ao se fazer referência às dificuldades de aprendizagem não se pode perder de vista a presença de distorções inerentes ao próprio sistema educacional e às influências ambientais que funcionam como contexto para as manifestações comportamentais e as peculiaridades do indivíduo que pode apresentar, no sistema escolar, o sintoma de não aprender (Linhares, 1998; Marturano, Linhares & Parreira, 1993).

As escolas ou qualquer outra instituição de ensino tendem a estigmatizar o aluno que esta tendo baixo rendimento, supondo que é um problema do proprio aluno. Hoje com os avanços da Psicologia da Educação, sabemos que o Ambiente tem muita importancia. Grande parte das escolas tendem a ignorar o problema, colocando no aluno toda a culpa por seu baixo desempenho, encaminhando o para psicologos que acabam não achando nada errado. Quando se faz uma caracterização do Ambiente, entendemos claramente os motivos dos problemas de aprendizagem que a instituição atribuiu unicamente ao aluno.

Ao constatar individuos com problemas de aprendizagem, é importante verificar qual é o ambiente que esse individuo esta inserido. Ele tem todos os materiais apropriados para aprender ? Essa pessoa possui algum problema emocional ou organico que a impedem de fixar atenção nas disciplinas ? Sera que esse ambiente é favoravel ao aprendizado ?
Enfim, existem inumeras questões antes de colocarmos a culpa no aluno. Analisando grande parte dos casos que chegam aos consultorios dos psicologos, entendemos que grande parte do problema esta no ambiente e não no individuo. Existem formas de ensino que são mais eficientes para transmitir conhecimento. Uma dessas propostas é a Abordagem Comportamental.

Se você esta tendo dificuldades em entender os conceitos da sua escola, faculdade ou trabalho, pare uns minutos por dia. Comece a pensar em como é o seu ambiente de trabalho, como é o seu ambiente na faculdade ou na escola. É um ambiente acolhedor ? Aconchegante ? Iluminado ? Os professores parecem animados ao ensinar ? Como esta a sua vida ? Esta muito ansioso ? Um periodo de mudanças ou mesmo de Stress com algo ?

Caro leitor, o problema de aprendizagem não é uma sentença, muito pelo contrario, definindo as causas reforçadoras para o não aprender, podemos planejar estrategias de intervenção eficientes para a mudança comportamental do não aprender.Claro que dependendo do caso é sempre recomendado procurar um Psicologo qualificado para discutir as questões que o perturbam e restalebecer seu foco.

Alguns problemas são especialmente dificeis de se resolver sozinho, nesses casos é muito importante que um psicologo seja consultado. As vezes o problema é mais facil de se resolver do que se pensa.
O importante é que você o resolva e alcance todos os seus objetivos.

Marcelo C. Souza
Psicologo Clinico

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Não se brinca mais como antigamente...


Não se brinca mais como antigamente, isso é uma verdade incontestável. Atualmente com o avanço da tecnologia, as crianças encontram formas de divertimento puramente virtuais dadas por pais que tambem não tem tempo de estar investindo em atividades com seus filhos.
Computadores e video games substituiram completamente os jogos que eram tão conhecidos e praticados, principalmente na decada de 80. Amarelinha, pular corda, queimada, corrida... Uma infinidade de atividades que foram substituidas pela frieza e solidão do mundo virtual da Internet, Computadores e Jogos de Video Games.
É uma pena, pois os jogos ensinam as crianças como lidar com a frustração de uma derrota, aprendem como se comportar socialmente e desenvolvem formas sadias de lidar com a competitividade. Não apenas os jogos mudaram, mas as musicas e até as roupas. Hoje em dia não temos mais crianças e sim, mini adultos. As antigas canções de roda cantadas por gênios da Musica Brasileira como Toquinho e sua inesquecivel canção " Aquarela " foi substituidas pelas musicas carregadas de erotismo e duplos sentidos do Bonde do Tigrão ou da funkeira Tati Quebra Barraco.
As roupas foram modificadas, é comum ver crianças de 5 anos se vestindo como adultos, gravatas, mini saias, sapatos de bico fino e saltos-alto.
A questão principal e o problema é que não existe espaço para crianças serem apenas crianças na sociedade moderna. Desde pequena já é introduzida no mundo virtual da internet, surfando sozinha por bits e mais bits conhecendo apenas nomes ou figurinhas em uma tela de computador. A competitividade é estimulada de forma muitas vezes cruel, buscando a destruição do adversario e não a união de forças ou mesmo a vitória sadia. O velho ditado popular " O importante não é vencer..." caiu em desuso rapidamente e foi substituido quase que totalmente por um outro que diz " Se não vencer, você não é ninguem...".
O resultado de gerações de crianças que foram criadas para serem individualistas é assustador. É importante que as crianças sejam educadas dentro do mundo globalizado e altamente tecnológico dos dias atuais, mas também creio que é necessário treinar os educadores para continuar introduzindo valores éticos e morais para que essa criança não se perca entre o trabalho quase que 24h dos pais e a negligência das escolas.
É algo a se trabalhar muito, principalmente para os Psicólogos e Pedagogos. As crianças não conseguem mais ser crianças e isso em um intervalo de tempo de medio prazo é desastroso.
Por onde andam os brinquedos que até uma decada atrás divertiam de forma saudavel milhões de crianças ao redor do mundo ? Onde estão aqueles jogos que ensinavam as crianças que o importante não era ganhar a qualquer custo ( até ser desonesto ) e sim participar da brincadeira ?? Onde está o espaço onde a criança pode ser apenas criança ?
Realmente...
Não se brinca mais como antigamente.
Marcelo C. Souza
Psicólogo Clinico

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Comportamento Verbal - Instrução e regra.

Existe uma importante diferença entre os termos regra e instrução, embora ambos sejam considerados estimulos verbais. O termo Regra é usado para contingências generalizadas e instrução para Contingências especificas ( Castanhaira, 2001 ; Cerutti 1989 ).
Regras / instruções e auto regras podem participar do controle do comportamento verbal e nao verbal ja que sao adiquiridos por contingências ambientais. Pensando nas vantagens e desvantagens entre essas formas de mudança do comportamento do cliente, podemos dizer que entre as vantagens que a instrução oferece é que existe uma facilitação à aquisição de novos comportamentos, principalmente quando são contingências complexas.
Segundo Skinner ( 1969 ) a instrução é utilizada para complementar contingências ambientais com baixo grau de discriminação. O problema é que usada em excesso, pode provocar uma redução na sensibilidade comportamental. De qualquer forma, a terapia como agência de controle, pode determinar a extenção da variabilidade do responder sob controle da contingência em vigor.
A Regra passada por um locutor, é diferente da auto instrução que é um estimulo verbal gerado pelo proprio individuo. Pensando na Analise Aplicada do Comportamento em contexto clinico, é sabido que é comum que o cliente se comporte em relação ao terapeuta da mesma forma que se comporta no ambiente em relação as outras pessoas. O controle exercido pelo terapeuta com instruções ou mesmo exercidas pelas auto-instruções facilitam a aquisição do repertório comportamental, mas pode reduzir a sensibilidade as mudanças nas contingências ambientais.
O terapeuta pode se utilizar de modelagem consequênciada diferencialmente as verbalizações do cliente de modo a selecionar por aproximações sucessivas o objetivo final ou apresentar análises funcionais prontas interpretando o comportamento do cliente, alem é claro do uso das instruções.
Como a instrução facilita a aquisição de novos comportamentos, mas pode diminuir a sensibilidade a contingência, é interessante se utilizar de estratégias de modelagem simultaneamente para evitar ou minimizar o efeito negativo que pode acontecer. Quanto o terapeuta, clara e precisamente aponta as variaveis de controle do comportamento problema e sugere um comportamento alternativo, a aquisição do novo comportamento é rapido, portanto é bom o terapeuta promover variabilidade comportamental de modo que, no caso de mudanças ambientais ( muitas delas imprevisiveis ), o cliente dispusesse de alternativas para lidar com essas mesmas mudanças, já que a manutenção do controle verbal é mais provavel quando existe um hístorico de reforçamento de comportamento de seguir regras.
O terapeuta tambem pode treinar seu cliente para discriminar quais intruções e auto-instruções devem ser seguidas ou não, por meio de reforçamento diferencial, já que um dos principais objetivos de uma terapia é estabelecer correspondência entre o quê o cliente diz ao terapeuta e o quê de fato o cliente faz em seu ambiente natural.
O terapeuta, através do comportamento verbal pode estabelecer contingências apropriadas para a aquisição de uma maior correspondencia entre dizer-fazer, sendo que pode ser implementadas contingências e considerar que o controle por auto-instruções é mais provável quando o dizer do cliente é desenvolvido por meio de modelagem, em vez de ser adiquirido por meio de instruções.
O terapeuta tambem pode treinar o cliente a implementar o comportamento alvo gradualmente fora da sessão e com isso diminuir a probabilidade de punição.

bibliografia

Rodrigues, J, A ; Heck, E.T.S : Instruções e Auto Instruções - Contribuições da pesquisa Basica. Cap 10
Marcelo Souza
Psicologo

sábado, 13 de dezembro de 2008

Alternativas à Punição

O tema Punição dentro da Analíse do Comportamento e de outras ciências naturais são sempre muito discutidos, desde suas aplicações e efeitos colaterais. A punição como supressora imediata de uma determinada resposta realmente funciona, porem carrega efeitos colaterais que em determinados casos inviabilizam seu uso já que os colaterais se sobrepõe aos seus beneficios.
Em primeira instancia, quando falamos de punição é provavel que se sinta repulsa, pois a palavra nos leva a pensar em dor ou sofrimento, mas se ampliarmos o conceito, estamos apenas falando de um estimulo adicionado em uma relação com o ambiente que suprime a resposta alvo de ser emitida. Quando falamos em punição, estamos falando em supressão de resposta e consequêntemente a extinção dessa mesma resposta e não em dor ou sofrimento. É a probabilidade da emissão da resposta ser diminuida e posteriormente extinta. Da mesma forma que quando falamos de reforçamento positivo, não estamos falando em bem estar e sim de controlar consequências nas contingências afim de aumentar a probabilidade de emissão de uma determinada resposta.
Vale lembrar que punir uma resposta as vezes é o unico caminho a se seguir como nos casos de auto agressão severa. ou mesmo de procedimentos de aprendizagem como ensinar uma criança a atravessar a rua. Não podemos permitir a auto agressão pois o comportamento em questão leva a danos e a punição evita um mal maior assim como não podemos modelar o comportamento de atravessar a rua por aproximação sucessiva já que a chance da criança ser atropelada é enorme nesse caso. Os procedimentos de modelagem portanto não são eficientes sendo necessaria a supressão imediata da resposta.

Alguns psicologos são completamente contra o uso de punição, mas o problema não é o uso em sí. O maior problema é que para o uso de procedimentos de punição é necessario analisar a situação e entender que é o unico caminho possivel para se proteger o individuo ou a sociedade que o cerca. É o caso dos criminosos. É impensavel a criação de politicas onde não exista punição para crimes previstos pelo nosso código penal. Claro que a punição por sí só nao é eficiente, pois um dos colaterais da punição é que a resposta acaba sendo suprimida unicamente na presença do agente punidor, continuando a ser emitida na sua ausencia. Obviamente a extinção seguida de reforçamento diferencial ( DRO ou DRA ) são infinitamente mais eficientes. A questão maior é punir apenas a resposta sem dar alternativas mais "saudáveis" não levam a modificação do comportamento de forma duradoura. Prender criminosos os punindo suprime o ato criminoso, mas não existe a correção e substituição de comportamentos lesivos a sociedade. Punir apenas por punir não é um caminho inteligente.

Talvez um dos maiores problemas é que o humano tem uma tendência a usar punição indiscriminadamente, suprimir uma resposta indesejavel imediatamente é muito mais reforçador do que se utilizar de outras estratégias como a modelação e reforçamento diferencial que demoram mais tempo para fazerem efeito, mas que levam a mudanças mais duradouras.
Em nossa cultura parece que é mais prazeiroso ( e estimulado ) punir a educar.

Outro exemplo classico são as nossas escolas. Muitas são movidas a punição ou reforço negativo. Os alunos estudam ( quando estudam...) para evitar punição. O mecanismo de fuga/esquiva em alguns alunos chega a ser fantastico de tão criativo.
Enfim, acredito que a punição como supressora imediata de uma resposta deva ser utilizada com parcimonia dentro de casos bem especificos seguidos por DRO ou DRA.
Creio que os analistas comportamentais têm muito a desenvolver, necessitando tambem entender que a Técnologia Comportamental não esta restrita apenas a Psicologia Clinica ou no laboratório, mas também tem grande valia dentro das politicas e instituições carcerarias, instituições de ensino ou mesmo em organizações empresariais.

Marcelo C. Souza
Psicólogo

sábado, 22 de novembro de 2008

Metacontingências e o planejamento de qualidade de vida.

"Compreender como entrelaçamento de contingências atuam na produção de uma consequência final, aumenta as chances de se elaborar planejamentos culturais adequados e eficazes. Os planejamentos bem sucedidos por sua vez podem tornar mais eficazes prevenções de doenças, molhorias no trânsito, processos educacionais, processos politicos dentre outros assuntos que dizem respeito a um individuo dentro de uma sociedade" ( Alencar, E. 2008 ).

A partir dessa explicação entendo melhor a importância, o poder e o perigo que apenas uma pessoa pode ter em uma cultura. O entrelaçamento de contingências realmente é alvo a ser mais estudado pois é o que acaba ditando como o grupo se comporta e atua no mundo. O responder de um individuo vira um Sd ( Estimulo Discriminativo ) para outro individuo e assim se forma uma cadeia que leva a uma consequência final que pode ser desde a paz mundial, até a 3º Guerra Mundial. Alguma lembrança do filme " Efeito Borboleta" ??
Acho que esse filme ilustra exatamente como as escolhas de uma pessoa interferem em outro individuo criando cadeias de comportamentos e eventos que levam a consequências desastrosas e mudando uma escolha, a cadeia muda e a consequência muda drasticamente. Claro que é um filme, apenas uma ficção, mas o conteudo e a mensagem não é. Fica a mensagem...

Pensando por um lado mais positivo, a metacontingência pode ser uma grande aliada na produção e organização de bem estar dentro de uma cultura, pois levam a uma consequência previsivel e portanto controlavel. É preciso um reforçador imediato para induzir outro reforçador atrazado. Um exemplo bem sucedido são as campanhas de vacinação, pois são necessários comportamentos operantes de diversos profissionais para que a campanha de certo. Um perfeito exemplo de entrelaçamento de contingências controlada com consequência previsivel, um operante de uma individua server como estimulo discriminativo para outra pessoa e assim se forma uma cadeia de contingências entrelaçadas que levam a uma consequência final reforçadora, previsivel e manipulavel positivamente. No caso a consequência imediata é o evitamento de um surto de determinada doença e como consequências atrazada a erradicação da mesma no futuro.

Me parece muito inteligente o estudo das relaçoes funcionais entre as contingências e uma consequência unica atrazada para todos os operantes entrelaçados.
O conceito de metacontingência é um tanto quanto complicado, mas muito lógico. Temos a contingência como unidade de análise do comportamento de um individuo e a Metacontingência como unidade de análise de uma cultura formada por diversos individuos, cada um com suas contingências se entrelaçando resultando em uma consequência final.

Concluo que a forma de entender e manejar a cultura e os grupo é sem duvida através da metacontingência manipulando variáveis e planejando as consequências desejaveis sempre visando o bem estar e o avanço da qualidade de vida do grupo.

Talvez a resposta para todos os problemas sociais esteja na mão das metacontingências no sentido de termos um instrumento eficiente na criação de campanhas sociais com custo de resposta favoravel a consequência imediata reforçadora e a atrasada também reforçadora.

Nesse caso, o instrumento parece ser realmente promissor.

Marcelo C. Souza
Psicologo

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Personalidade para a Analise do Comportamento e o Budismo

Duas filosofias tão distintas oriundas de duas culturas completamente diferentes e que possuem boas semelhanças ,talvez até mais do que queiram admitir os defensores mais ferrenhos do Behaviorismo Radical.

A cultura Oriental, enfatizando as questões espirituais, autoconhecimento, questões éticas e motivacionais e as ocidentais imersas em uma cultura capitalista prezando o observavel, o palpavel e a ciência que valida, testa e retesta.

O quê será que tem em comum o Budismo Chines com o Behaviorismo Radical quando falamos sobre o conceito de personalidade ?
Vamos contextualizar historicamente quando um paradigma de entendimento da personalidade estava vigente.

Quando Skinner começou a estudar e desenvolver sua teoria, o paradigma existente era puramente mentalista dentro da Psicologia. Uma época onde Freud tinha desenvolvido uma teoria psicodinâmica que era sólida e estava sendo difundida no mundo todo. Diferente do que Freud postulou, Skinner começou falando que a mente como agente imaterial responsavel por todos os acontecimentos que aflingiam o homem não existia. Obviamente essa nova postura defendida por Skinner, (já defendida anteriormente por Watson em seu manifesto ) foi recebida com duras criticas.

Antes do primeiro laboratorio de Psicologia experimental de Wundt , os experimentos de Pavlov e o Behaviorismo Metodológico de Watson não existia espaço para o comportamento propriamente dito. Tudo era atribuido ao inconsciente que Freud, Bauer e todos os que vieram junto descreviam tão bem, e no contexto que estavam imersos explicava todos os questionamentos que uma comunidade se fazia. Nessa epoca Freud e seus colaboradores tinham criado teorias para explicar e descrever o que era a personalidade e como ela influenciaria o aparelho psiquico. A teoria do Inconsciente estava em alta.

Para Freud a Personalidade era uma extrutura interna ordenada em EGO, ID e SUPEREGO, organizada como um sistema que permite manter a saude mental equilibrando forças inconscientes entre o ID ( regido pelo principio do Prazer ) e o superego ( a Lei interiorizada adquirida com a resolução do Complexo de Édipo ) com a mediação do EGO.

A Psicanálise era determinista, ou seja, não existe acontecimento interno que não tenha causa. Todo evento mental é causado conscientemente ou inconscientemente e é determinado pelos fatos que a precederam. Fatos esses que podem ser apenas simbólicos e não necessariamente reais. Freud então se dedicou a explicar as ligações inconscientes que uniam os processos mentais que ligavam um evento a outro.

Mas o que eu quero dizer com tudo isso ?
Por quê estou delimitando uma psicologia Ocidental denominada Behaviorismo Radical focada em comportamentos observaveis e mensuraveis e definindo personalidade das correntes psicodinâmicas e falando em Budismo ?
Bom, Skinner diz que a Personalidade como algo imaterial resultado de processos internos do inconsciente simplesmente não existe. A personalidade como um EU separado não poderia existir em uma análise ciêntifica do Comportamento.

É exatamente ai que behaviorismo Radical e Budismo se aproximam e se chocam com o paradigma de entendimento da personalidade até entao vigente, do mentalismo da Psicanálise.
Skinner diz que “ Personalidade é uma coleção de padrões de comportamento onde estimulos diferentes evocam ou produzem diversos tipos de respostas”. Portanto a emissão de respostas é definida pelo histórico de vida denominada Ontogênese, fatores ambientais e fatores biológicos denominada Filogênese.

Essa nova definição entre a relação do Ambiente, história de vida e Cultura se propõe a mudar o paradigma de personalidade mentalista para um paradigma Behaviorista, onde o Inconsciente é ignorado dando lugar a definição de Niveis de Seleção ( Filogenéticos, Ontogenéticos e Culturais ) como determinantes para a formação da personalidade e não mais como um Eu interno inconsciente, mas como um conjunto de comportamentos que podem ser previstos e controlados.

Skinner responde aos criticos que se relacionarmos o EU ou EGO em comportamento observavel, não existiria a necessidade de falar em personalidade como um eu interior e imaterial que só pode ser descrito ou estudado metafisicamente. O budismo fala a mesma coisa que Skinner afirmou. A filosofia Budista tambem não acredita que exista uma entidade chamada personalidade, algo imaterial e interno criada a partir de conteudos inconscientes e simbólicos. Os budistas, assim como Skinner revelam que existe uma superposição de comportamentos e sensações, mas que nenhuma delas é permanente pois fazem parte de um jogo que é mutavel e constantemente alterado pelo ambiente.

Skinner e os budistas desenvolveram a sua filosofia com base no pressuposto que não existe EU ou Personalidade exceto se considerarmos personalidade como um conjunto de comportamentos observaveis. Tanto o Budismo quanto o Behaviorismo Radical enfatizam que conhecer as causas reais dos comportamentos como resultado de uma história do Ambiente e aspectos Biológicos ajudam a entender o por quê as pessoas se comportam como se comportam. O proprio Skinner diz que "Os maiores problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano (...) O behaviorismo oferece uma alternativa promissora..." (Skinner, 1974/2004, p.11).

Ambas teorias divergem quanto as causas, pois o Budismo considera os fatores Motivacionais e Éticos e Skinner permanece focado no comportamento em sí entendendo e buscando causas no determinismo ambiental e nas consequências que essas mesmas respostas provocavam no ambiente aumentando ou diminuindo a frequência que uma determinada resposta aconteceria.
Atualmente tem uma boa discussão sobre Fatores Motivacionais e Éticos dentro da Analise do Comportamento.

Alias uma das mais “novas” técnicas utilizadas pela ACT, DBT e FAP é uma adaptação de técnicas budistas de meditação chamada “Minfullness”, e está substituindo alguns dos procedimentos há muito utilizados pelas Terapias Cognitivas Comportamentais para lidar com Comportamentos de Fuga/esquiva. Apesar do mind ( mente ) no nome da técnica, que deixa os Behavioristas mais ortodoxos de cabelos em pé, ela não tem nada de mentalista.

De fato existem muitas relações entre a psicologia Ocidental e as culturas Orientais. Não existe psicologia no Oriente, pois as filosofias orientais buscam fazer exatamente o que a psicologia ocidental se propoe. Aumentar a qualidade de vida e saude dos organismos desse planeta.
Marcelo C. Souza
Psicólogo Clínico